A arte e criticas de “Dequete” em seus graffitis

Em seus grafites as mensagens positivas e criticas estão sempre presente

Natural de Belo Horizonte, Dequete é graduado em Licenciatura em Educação Artística com Habilitação em Artes Plásticas pela Escola Guignard/UEMG, é escritor urbano/grafiteiro, artista visual e arte-educador. Desde 1999 produz intervenções urbanas em muros, paredes e outros suportes na região da Grande BH e São Paulo/Brasil (onde viveu) e Uberlândia (onde vive), dentre outras cidades do país por onde passa.

Dequete Mural Hendrix

Já participou de diversas mostras como : 1ª Bienal Internacional de Graffiti de Belo Horizonte – BIGBH (BH), Verão Arte Contemporânea no Palácio das Artes (BH), Meeting Of Favela (RJ), performance “Imagens do Interativo (Fragmentos de Cidades)” pelo “Tridimencional na Arte Contemporânea” no MAC/ USP – Prédio da Bienal (SP) e na Casa D’Itália (DF), dentre outros; Produz live paints e ministra workshops em eventos públicos e particulares, atua junto a arquitetos, urbanista e designers na elaboração de projetos com Graffiti Arte, dentre outros.

Dequete - passaro mural arte

Veja nossa entrevista a Dequete :


1 – Como surgiu seu interesse pela arte ?

Eu costumo dizer que o ventre da minha mãe é todo pixado ! Desde pequeno sou apaixonado por desenhos e lá se vão 33 anos (risos).

2 – O que te influenciou a ser um artista ?

Como dito, a relação com a arte sempre esteve comigo, apesar que não curto o termo “dom”. Contudo, eu tinha uma habilidade e com o passar dos anos fui lapidando ela e por isso, fui cada vez mais tomando consciência do bem que ela me fazia e fazia para as pessoas que estavam à minha volta.Dequete - grafite arte Desde pequeno eu desenhava tudo o que via, fosse os carros de boi e cavalos na roça onde minha vó morava (quando eu a visitava), fosse os desenhos animados que passava na TV, principalmente os da antiga Rede Manchete. Eu reproduzia as histórias em quadrinhos e também aquelas figurinhas que vinha nos chicletes. Fui muito influenciado pelos animes o que me ajudou, anos depois, na elaboração do meu personagem “O gato“.No graffiti a influencia veio com o pixo, onde me lancei nas ruas e até hoje gosto de jogar uns nomes por ai (risos). A galera da Zona Norte de BH foi minha escola e sou grato a estes até hoje. Contudo, acredito que o divisor de águas mesmo, foi a necessidade de mudar a realidade violenta a qual eu estava mergulhado na minha quebrada e família. A desigualdade social latente na minha região; o crime; as drogas; as brigas; o padrasto (fdp) que por toda minha infância e adolescência agrediu minha mãe; a opressão e humilhação proveniente dos abusos da polícia e do Estado; os seis tiros que tomei a queima roupa em 2001, na minha quebrada (dos quais até hoje trago alojada na cabeça uma bala) por trairagem. Tudo isso me fez colocar na balança se a vida que eu vivia antes estava valendo a pena. Percebi que não e decidi mergulhar na Arte e fazer dela uma ferramenta social pra alertar, principalmente a juventude, sobre a importância de valorizarmos nossa vida, a qual, acredito ser uma dádiva!

Dequete - Escravidão - Abaixa o salário“O tempero do Mar foi lagrima de preto.” / “Abaixa o salário do vereador e aumenta o do professor.”

3 – Como foi o inicio e quais às barreiras que você enfrentou ?

Desde 94 eu observo as ruas e as inscrições que nela surgiam. Eu era muito atraído pelo pixo, frases e os desenhos que eu via nos muros. Sempre reproduzia em meu cadernos de escolas esses signos. Numa época em que não se via grafiteiros atuando nas ruas como hoje vemos, o jeito era sentar no meio fio com o caderno no colo e ficar pegando uma letra de um e a letra de outro, um desenho de um e o desenho de outro reproduzindo tudo pra tentar fazer os meus desenhos e pixos. Na escola montamos nossa galera e começamos a espalhar nossas marcas pelas ruas de BH, isso em 99. Fazíamos pixações, bombs, mas também começamos a fazer desenhos por encomendas no bairro grafitando butecos, padarias e nossa própria escola. Como dito, em 2001 sofri uma tentativa de homicídio, por conta de inveja e tretas de gangues e por isso precisei mudar de bairro. Na ocasião, criei meu personagem “O gato” para passar as mensagens positivas que até hoje prego em meus trampos. É bacana ver as pessoas admirando meu trabalho hoje em dia e lembrar que o começo não foi flores.

Dequete - Pássaro de Fogo

4 – Quando consolidou seu estilo ?

Sou um escritor de graffiti, gosto de soltar tags, pixos, bombs e minhas letras freestyle. Contudo, por conta da necessidade que tenho em propagar mensagens positivas via muros (tenho isso como uma missão de vida, já que recebi uma segunda chance de viver, e sou muito grato a Deus por isso), sou reconhecido nas rua por conta do meu personagem. Desde que o criei, após os tiros, ele vem evoluindo juntamente com a minha pessoa, até porque o personagem, que é um felino, representa eu mesmo. A medida que fui evoluindo enquanto pessoa e conseguindo administrar o caos que minha vida era, vencendo meus traumas e temores (pois as ameaças de morte eram constantes) meu personagem também evolui esteticamente e tecnicamente, vindo a chegar no que ele é hoje. No início eu era conhecido por outro vulgo, mas após os tiros, colocaram em mina a alcunha de “O Gato” (sete vidas). Por isso passei a assinar nas ruas como “The Cat” e posteriormente “DEQUETE“. Em 2012 eu pintei meu personagem nas cores verde, laranja e azul pela primeira vez e hoje essas três cores, são as primárias simbólicas que representam o meu fazer artístico. Tudo que faço em arte, inclusive telas, esculturas, bombs, letras de graffiti e o meu personagem trazem consigo a assinatura estética da marca #verdelaranjaeazul.

Dequete - Jogos São VorazesOlimpíadas 2016 – Os Jogos que a TV não mostra.  “Um país que investe em show pra gringo ver enquanto seu povo perece.”/ “Aqui Os Jogos São Vorazes e Medalha de Ouro é Pobre se Manter Vivo!”

4 – De onde buscou referências para seu estilo ?

As referencias são várias e nem dá pra citar todas aqui, mas Picasso, Cezanne, Miró, Ives Kline. Portinare nas artes visuais (pelo uso das cores, liberdade das formas desapegadas da ideia de “perfeição” e suas poéticas). Os Gemeos, Binho, Onesto, Zezão, Crazy Boys, Outsider, Seres, Cossi – estes quatro últimos de BH – no graffiti (pela atitude, política, ideia e por fazerem seus trabalhos virarem signos urbanos). Dentre outros.

Dequete - Corrupto Trabalhando“E o corrupto acha pouco!” / “Corrupto trabalhando!”

5 – O que te inspira nas suas criações ?

Aprendi com um professor na Escola Guignard/UEMG onde graduei como Arte Educador, que “a arte é reflexo do social“. Eu defendo a ideia da Arte Vida, pois Arte e Vida estão estão interligadas e tenho maior respeito por ambas. Logo, sempre falo daquilo que está a minha volta, procurando ser um arauto contemporâneo das tintas. Não tenho o habito de pintar por pintar, sempre há uma ideia que quero passar, ainda que as vezes, isso não seja tão explícito. Gosto de colocar geral pra refletir por isso meu trabalho tem um caráter muito político e social. Mas também curto zoar as vezes, então faço trampos pra dá uma quebrada na seriedade e stress do nosso dia a dia.

Dequete - Nossos impostos muito bem aplicados“Nossos impostos muito bem aplicados!” / “Sua sujeira não sai com banho!”

6 – Qual é sua combinação de cores predileta ?

Como dito, VERDE, LARANJA e AZUL (mas uso outras também (risos)).

 7 – Quais são seus artistas prediletos ?

Aqueles que vemos na rua no dia a dia e geralmente passa batido como os irmãos hippies, malabaristas de sinaleiros os pixadores, o cara que toca sax na porta do terminal, o tio que vende cachorro quente no ponto de ônibus e toda essa gente boa que tem as ruas como seu meio de vida. Quem vive a Rua e respeita a mesma, já tem meu respeito e também admiração. Só quem vive sabe !

Dequete - rua graffiti“Quando você não escuta a mensagem, o graffiti esfrega na sua cara!” / “A rua é publica. O corpo dela não!”

8 – Quais foram as coisas boas, que a sua arte te trouxe ?

Um sentido pelo qual viver, até que minha hora chegue de verdade. Ver um mulek que saiu do crime ou deixou de matar alguém, por conta das ideia que ele viu nos meus trampos ou numa oficina que ministrei. O carinho e força que recebo de gente de tudo quanto é canto, me parabenizando pelos trampos.

9 – O que ainda não fez artisticamente e gostaria de fazer ?

Conhecer e pintar neste Brasil de fora a fora (cidade por cidade) e alguns países lá fora também!

Dequete - Agata Mãe Natureza

10 – Se você não fosse artista o que você gostaria de ser ?

Faço das palavras que ouvi de um amigo há 13 anos : “Pedreiro, pois tenho a necessidade de construir

11 – Deixe uma mensagem para nossos leitores.

Se lhe tirarem o chão, lembre-se que pode voar ! Voe e voe alto galera ! Paz e Tinta !”

Dequete - Este não contou, mas fez história


Mais informações sobre Dequete :

Instagram: @dequete
Facebook : Dequete
Flickr : Dequete

Veja os murais e graffitis de Dequete abaixo :

DEQUETE Mural SereiaDequete - arte graffitiDquete - 3 cores - TODO DIA É DIA DO AMOR Dequete e Gabriel Tino na Festa Sextou da Salt StoreMural por Gabriel Tino e Dequete em  Uberlândia/MG/Brasil

Dequete e Kueia - muralMural por Dequete e KUEIA em Uberlândia/MG/Brasil

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Murais
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