Conheça o artista DEVIS e seus graffitis

Devis busca a interação da personagem com a linguagem indígena e atributos do dia a dia

Michael Puquevis Ando, mas conhecido como DEVIS nascido na Capital Paranaense (Curitiba) mais exatamente na região Sul ( Bairro Sitio Cercado ). Devis tem a inspiração no estilo de vida das jovens japonesas LOLITAS, onde mescla o estilo com o cartoon. Olhos vibrantes com cílios enormes e os tradicionais cabelos azul são ícones fortes da sua personagem, também apelidada de Lolita. Hoje Devis busca a interação da personagem com a linguagem indígena e atributos do dia a dia de sua vivencia lhes retratando na personagem.

Confira nossa entrevista com Michael Devis :


1 – Todo mundo que acompanha seu trabalho deve ter a curiosidade de como surgiu seu interesse pela arte, você pode contar pra gente ?

Tive meu primeiro contato coma arte de rua em meados de 1998 através da pixação, onde na periferia de Curitiba (zona sul) naquela época existia muita rivalidade territorial de gangues e torcidas organizadas, então praticamente quase todos os jovens meio que defendia seu território e saia demarcando lugares nos bairros vizinhos ( assinávamos OS SINISTROS ) e meu primeiro pé na arte foi quando assisti ao vídeo do Basquiat (Jean-Michel Basquiat) na aula de educação artística, nessa época o Graffiti em Curitiba já existia alguns caras iniciando a cena foi quando comecei a fazer parte da antiga crew ARTSUL ( Pet, Digo, Rus e Dead ) era alguns dos caras que corriam comigo. Época boa que aprendi muito sobre respeito e cumplicidade.

2 – Quem ou quais circunstâncias te levaram a investir na arte como uma carreira  a ser seguida ?

Eu ainda acho que no Brasil é surreal para se pensar em carreira no meio da arte urbana, pois falta um pouco de clareza e valorização tanto da sociedade, governos e de empresas no que esta vertente artística impacta e representa na arte atual.

Hoje boa parte de minha renda vem de trabalhos artísticos urbanos onde foi meio que fluindo naturalmente na minha vida, não planejei e ainda estou deixando rolar

3 – Quais foram os maiores desafios e dificuldades como artista ?

Arte é uma parada complexa ainda mais se busca viver dela, maiores desafios é se auto conhecer e uma busca de identidade dentro da cena ( que no Brasil e forte pra caramba ). Dificuldades? caraca poderia fazer um dicionario, mais vou tentar resumir rsrsrs, Grana sempre foi a principal, desvalorização, falta de incentivo publico e privado, falta de fortalecimento dentro da própria cena ( apesar que tem uma geração nova que esta chegando forte  e fazendo fluir ),  o tal de oportunidades, uma parada que me incomoda muito é a rotulação de artistas e isso gera uma dificuldade tremenda pois acaba desmerecendo muita gente. Pinta faz o seu, colhe, planta e segue em frente acho que são pilares para portas se abrirem e todos colherem frutos.

4 – Como foi a definição do estilo que você gostaria de trabalhar ?

Definição de estilo foi uma parada tensa, comecei no pixo, bomb (throw-up), tive bons momentos no wild style, faço uns 3d e acredito que me encontrei quando comecei a pintar personagens e cenários. Me amarro em profundidade e isso me fez estudar muito, tenho uma briga constante em evoluir nos traços e acredito que cada dia defino mais meu estilo através disso.

5 – De onde vem seu sopro de inspiração ?

Da rua sempre, sou muito detalhista e por onde passo busco absorver algo de alguém, da cultura local, das historias e retratar no meu trampo autoral. Morei 4 anos no Japão e tive uma influencia gigante no meu estilo, acredito que minha inspiração de hoje seria através de uma especie de avatar rsrsrs chamada Lolita, na qual se trata de uma cultura popular de jovens japonesas chamadas Lolitas, dai o nome para ela. Essa cultura tem varias vertentes e se expressam através de roupas, maquiagens, cabelos e posicionamento na sociedade pois elas querem ser o oposto da sociedade atual no Japão, até por isso elas são meio taxadas de underground por lá.

No geral minhas personagens tem um olho cartoon, cílios gigantes e o cabelo azul ( característica marcante nos meus roles ), mas após voltar a viver no Brasil e circular por vários países o sopro tem sido puxado bastante para traços indígenas e roupas populares da America do sul.

6 – Quais artistas do cenário atual você admira ?

Eu sempre tive muito respeito por alguns caras que me fizeram estudar muito e marcaram o inicio da minha cara no graffiti e um dos principais foi o  Anjo de SP. Mais ao mesmo tempo fiz muitos intercâmbios e posso citar também  Graphis, Truff, Nick, Roko, Does de SP, Acme e Ment do RJ, Lee27 BA, Trampo POA, Ades, Asew, Café, Dstak, Carão, Huggo, Luwid, Farinha, GardPam, Case, Bolacha, Japem, Auma, Gustas, Felas,  Iceman, Skor são alguns dos caras do PARANÁ que eu curto muito…

Mas em âmbito geral tenho acompanhado muito trampo de artistas nacionais e curto muito o trampo Os Gemeos, Smoky e Shalak, Chis, Fil, Stan, Tinho, Vespa, Gud, Ges, Nando, Bigod, Galvão, Mudof, Soneka, Los Kueios, Lian, Starley, Iron, Graff, Gil, Amazon, Ak47, Caze, Binho, Gal, Kajaman, Pakato, Raios, Swk, Talu, Bart, Enetres, Lucas lnc, 5galaxia, Dninja, Celo, Galo, Mirage, Ise, Lelin, Sipros, Korea, Feik, Bts e por ai vai.. Tem mais (risos)

Acho que tem uma geração nova que ta chegando forte na cena e merece que a galera comece a ficar de olho também.

7 – O que você ainda sonha em realizar com a sua arte ?

Poxa acredito que todo artista de rua almeja é que consiga viver do seu role autoral, que possa ser reconhecido pelo traço, identidade e sua caminhada, então não sonho muito em realizar coisas… gosto de pintar e isso me faz bem, então pintar por muitos anos, conhecer novas pessoas e energias boas seria uma meta de vida.

8 – Quais foram as coisas boas, que a sua arte te trouxe ?

Eu vim de uma família muito humilde e passei muitas dificuldades na vida, hoje conquistei alguns objetivos pessoais que já mais imaginava. As melhores coisas que o Graffiti me trouxe foi aprender muito com a vida, me socializar melhor, respeito com o próximo e principalmente valorizar as minimas coisas que os momentos pintando lhe proporciona.

9 – Se você não fosse artista, qual séria o plano b ?

Caracaaa…Não tive muitas oportunidades na vida então eu sonhava em ser Veterinário, mas o plano B seria Aeronáutica.

10 – Alguns artistas curtem ouvir músicas durante o processo criativo, com você funciona da mesma forma ? E na sua playlist o que não pode faltar ?

Sim… a musica me concentra quando pinto, ouço musica muito alta nos fones e isso me faz esquecer o som do spray,  isso me ajuda nos traços hahaha. O Rappa sempre esta em todas minhas playlist mas eu sou bem eclético em questão de musica, sou Brasileiro de raiz e ouço muita coisa regionais, de pequenos produtores. Estilos como Rap, Samba, Funk e por ai vai, isso vai muito da conectividade de vc e o momento que esta pintando.

11 – Deixe uma mensagem para os nossos leitores.

Primeiro eu odeio escrever (risos) não consigo me expressar bem escrevendo, então obrigado pela convite a entrevista e parabéns pelo conteúdo gerado de vocês. Ahh e ao cara lá de cima por me manter vivo, pensante e iluminado.

Porraa…aquele salve pra minha Crew TBC e Coletivo ATAX, quero deixar um salve pra geral que acompanha meu trabalho e cola junto em vários roles, aprendo muito dia a dia e busco cada dia ser uma pessoa melhor então não deixem a cena se diminuir por bobeiras de espaço, ego ou simples achismo.. Acredito que somos muito mais importante para a arte do que nos mesmos imaginamos e fortalecendo quem esta do seu lado, correndo pela cultura urbana dando a cara a tapa já merece seu respeito. Muita Paz e luz no caminho de todos.

“O Graffiti chama a atenção pois presta um serviço imperceptível e em grande estilo para a sociedade, explodindo cores que sutilmente obrigam o espectador a refletir sobre o cinza chumbo que predomina, convidando a uma valorização do lugar onde vivemos. O grafiteiro gosta de ler a humanidade, de expor sua leitura e provocar a percepção do caminhante, faz isso com extrema consciência legal ou ilegal por estranho que pareça, sendo o graffiti um movimento gerado no caos da urbanicidade.

Quem sabe justamente por isso ? Há crença num futuro mais decente, apenas da frieza, da ordem e do progresso.”


Mais informações sobre Michael Devis :
Instagram : @michael_devis
FacebookMichael Devis

Fonte : Devis

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Murais
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